A Fibra Óptica e a Formiga: uma relação proibida


Antigamente, no meados da década de 90, as conexões de rede nas universidades federais americanas tinham uma taxa de transferência entre os computadores em torno de alguns KB/s (Kilobyte por segundo) e para a época, era uma velocidade fantástica que atendia as necessidades do momento.

Atualmente, com o desenvolvimento da tecnologia e o surgimento da internet de forma comercial, observamos em algumas redes de computadores uma taxa de transferência de dados na casa dos GB/s (Gigabyte por segundo) e até em TB/s (Terabyte por segundo), o que não me surpreende pois a tendência é termos uma rede com grande capacidade de transferência de dados a cada dia que se passa.

O mercado disponibiliza uma enorme gama de equipamentos e ativos de rede para proporcionar uma melhor qualidade no sinal dos dados transmitidos e recebidos, permitindo uma performance considerável e trazendo inúmeros benefícios com um custo aceitável.

Dependendo da tecnologia empregada, pode-se usar os cabos UTP de categoria 6 para distâncias curtas (conforme recomendação técnica para cabeamento estruturado) que não ultrapassem 100 metros entre os ativos de rede pois distâncias acima desse patamar, não existe a garantia da qualidade do sinal. Para locais mais distantes, a opção é utilizar os cabos de fibra óptica, que podem levar o sinal de rede por quilômetros de distância.

Não vou entrar no mérito se a melhor fibra é a do tipo monomodo ou multimodo, apenas retratar que podemos usar a infraestrutura desejável conforme as condições do ambiente e do poder de investimento que a empresa pode realizar, sendo esses fatores os determinantes na escolha da tecnologia utilizada.

Uma situação, em especial, eu tive o prazer (nesse caso o desprazer) de ter contato com um caso muito interessante que quase nenhum profissional de TI imagina que um dia possa acontecer. Normalmente, lançamos a fibra óptica de um ponto a outro, dentro das respectivas canaletas, calhas, conduítes e qualquer outro tipo de meio para suportar a fibra óptica e após as devidas fusões na fibra, o backbone entre ativos de rede vai funcionar perfeitamente.

Entretanto, para minha surpresa, recebi um chamado do pessoal da Guarda Patrimonial Portuária informando que 10 câmeras IP de CFTV tinham parado de funcionar misteriosamente, sem nenhum fator aparente. Analisando o software de monitoramento, a equipe de analistas de suporte já tinha detectado a queda do sinal dessas câmeras e já estavam acionando a equipe de elétrica quando a guarda entrou em contato com o setor de tecnologia.

Entrei no “circuito” para checar o que estava acontecendo e o pessoal da elétrica informou que as câmeras no local estavam ligadas, com o led acesso de cada uma delas que indicava que as câmeras IP estavam sendo energizadas normalmente com a voltagem apropriada. Deduzi então, problema era de dados mesmo.

Equipe de analistas de suporte em campo, passaram a abrir e fechar backbones, trocar fontes de alimentação dos conversores de fibra para cabos UTP, patch cords de fibra e nada das câmeras funcionarem. Resolvi sair do escritório e analisar mais de perto a situação para verificar se não houve uma falha de procedimento na verificação das possíveis causas de interrupção de sinal, conforme previsto no plano de recuperação de desastres.

Parecia tudo normal, switchs ligados, conversores de fibra ligados, UTP respondendo até que me veio na mente, verificar um DIO (distribuidor interno óptico) que fica em uma torre de 15 metros de altura que interliga o switch das câmeras com o switch do primeiro backbone da área. Com a cara e coragem, subi na torre e abri o armário de distribuição e verifiquei que o switch está ligado com as portas funcionando.

Faltava ter a certeza se a fibra que interliga o switch ao backbone da área estava funcionando. Mas como testar encima de uma torre tão alta. Ao pensar em como realizar tal teste, observei que dentro do armário, existiam algumas formigas andando pelo ambiente e nem imaginei que elas poderiam ser as culpadas pela situação. Até o momento em que precisei levantar o distribuidor óptico para ter acesso a tomada de energia para reiniciar o switch.

Parecia um ambiente de guerra. Nesse momento, dezenas de formigas começaram a sair de dentro do DIO e tomei um susto com a situação. Nunca tinha visto formiga aos montes saírem disparadas de dentro de um distribuidor óptico, muito menos daquele jeito, Tive que esperar uns 10 minutos para que a rebelião de formigas saísse de dentro do DIO e resolvi abrir o distribuidor para verificar a situação.

Bingo! Achei o problema de queda de sinal de um perímetro do CFTV. As formigas fizeram um ninho dentro do distribuidor óptico e resolveram se “alimentar” da fibra óptica. Tudo parecia está propício para a criação do ninho: ambiente quente, fechado e dentro do DIO tem espuma que traz conforto para as formigas.

Resultado: 3 pares de fibra rompido e meio dia de trabalho de fusão. Além da conta no final do dia sobre a fusão e deslocamento de equipe de manutenção, tem o tempo sem registro das imagens enquanto o perímetro estava descoberto com a falta de sinal da CFTV.

Contudo, depois disso tudo, uma conclusão: a fibra óptica e a formiga definitivamente é uma relação proibida!

Até a próxima!

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Uma resposta em “A Fibra Óptica e a Formiga: uma relação proibida

  1. Realmente essa situação é bem incomum, porém já passei por situação parecida.

    Uma fibra lançado pelos postes, dentro de uma caixa de fusão as formigas resolveram fazer um ninho e cortaram duas fibras.

    Tiramos fotos, só que como já era de se esperar, ninguém acreditou que uma formiga poderia ter cortado a fibra.

    As pessoas que não conhecem pensam que a fibra é um cabo grosso, só que a parte onde é feita a fusão é muito fina e sensível, o resto é só proteção externa.

    abs

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