A arte de investigar


Em um Mundo globalizado, percebemos a velocidade com que as informações trafegam entre o remetente e o destinatario. Esse é o fruto do desenvolvimento de nossa sociedade que está cada vez mais anciosa por novidades tecnológicas e facilidades no cotidiano. As soluções são desenvolvidas e acabamos absorvendo o ritmo acelerado dessa evolução sem muito pensar nas consequências dessa atitude.

O mercado de equipamentos eletrônicos está bem aquecido com consumidores ávidos por novidades. Alguns entram na loja, escolhem pelo preço do equipamento (geralmente parcelam o valor do produto em mensalidades de se perder de vista) sem se importar se o produto ignora as regras de melhores práticas de sigilo de informação confidencial ou pessoal.

Consumidores que gostam de equipamentos mais modernos, por exemplo, as máquinas digitais semi-profissionais (que estão virando moda com preços competitivos) e que vem embutido alguns recursos como o GPS ( mecanismo de geolocalização),  não percebem que dependendo do fabricante, esse recurso poderá vir ativado como opção default (padrão).

Nessa hora, nós (perito forense) agradecemos por esse recurso ativo pois conseguimos através dos metadados do arquivo da imagem, obter exatamente a localização de onde aquela foto foi tirada, ficando a sua informação que deveria ser confidencial (onde, como e por qual máquina utilizada) para qualquer um que detenha um pouco mais de técnica forense.

Do mesmo modo, para o processo de investigação, é fundamental que o GPS (nas máquinas que possuem esse recurso) esteja ativo, pois além de obter as informações básicas como: qual o modelo da máquina utilizada, qual resolução, se usou flash, se usou configurações pré-estabelecids da máquina, etc, teremos a localidade de onde a foto foi capturada. Essa informação será muito útil para derrubar qualquer tese de defesa do advogado do acusado (ou investigado – se tratando no curso de um inquérito policial) de que seu cliente nunca esteve na cena do crime.

Entretanto, outras situações podem parecer como caso perdido se não tivermos qualificação ou experiência no ramo da perícia forense. Para um profissional de TI leigo, ao saber que um acusado acabou de formatar o seu disco rígido com a chegada da equipe da autoridade policial, tentando se desfazer das provas ilícitas que culminariam em sua culpabilidade, acreditaria que nenhum informação poderia ser encontrada pelo simples motivo da ação de “formatar” do acusado.

Todavia, é mister que esse tipo de comportamento não passa de uma tentativa fracassada do acusado de praticar um crime acreditando que tenha conseguido se livrar das provas. A arte de investigar é maior que essas atitudes grotescas e banais. O perito sabe como e quando recuperar as informações que foram apafagas pelo criminoso, é questão de tempo. O conhecimento é alma do sucesso de qualquer atividade profissional. O que mais engrandece ao Perito Forense é que ele tem a convicção que após uma formatação de disco, sem a reutilização do disco após a ação, tudo será recuperado.

Contudo, sabemos que os Peritos não são “Deuses” com poderes mágicos e mirabolantes, nada disso. Relembrando o passado, quando nos mosteiros os únicos que tinham acesso ao acervo de livros da época eram conhecidos como os mestres, os poderosos… o Perito tem o conhecimento forense de saber utilizar as ferramentas certas nos momentos certos, ocasionando em resultados positivos.

Portanto, a Arte de Investigar está mais além que buscar na internet por ferramentas que em um clique, todo o trabalho é realizado de perícia. Tem que interpretar o resultado, pois senão, você não tem conhecimento nem informação, terá somente dados.

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2 respostas em “A arte de investigar

  1. Excelente artigo. Eu sou iniciante no mundo da segurança da informação. Presto serviços mais para a Web, mas tenho sonho e objetivo de ser um perito, mas sei que esse sonho ainda está longe. Um perito consegue tirar o suco só da casca.

    Investigar realmente é uma arte, aliando a tecnica manual ou com a automatizada.

  2. Prezado,

    Fico feliz por você se interessar na ára da Perícia Forense. Para um bom começo, recomendo ler alguns livros da área e de autores renomados, como Sandro Surfet e Rafael Vargas.

    Tenho amigos peritos também com produzem artigos na internet: Rabelo, Marcelo Lau entre outros…

    Abraços,

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