Acabei de ler um livro sobre Computação Forense: já sou perito?


A evolução da tecnologia tem nos mostrados que o “homem” é um sábio inventor a cada dia de nossas vidas. Antigamente, para se encontrar uma pessoa que estava fora de casa, era uma verdadeira peregrinação que passava pelo telefone fixo do local de trabalho, casa da mãe, da sogra e quando se tinha o contato, ligava para a casa da amante. Não é difícil de palpitar que naquela época, quando alguém não queria ser encontrado, bastasse não aparecer em nenhum local que tivesse telefone fixo pois senão até na casa do vizinho o indivíduo poderia ser encontrado.

Atualmente, a cada ano que se passa, queremos ter o modelo de última geração do “dedo-duro” vulgarmente conhecido como celular. Pois é, antes achávamos que não seria interessante em ter esse aparelhinho sempre ligado no nosso bolso mas leve engano, tente ficar um dia inteiro com o celular desligado. Parece que uma parte de você está morta, está faltando, acha que alguém está tentando te ligar. Tudo bem, tem gente que consegue ficar sem o celular, mas convenhamos, são poucos os privilegiados.

Isso acontece também quando pensamos que um determinado assunto é moda do mercado, que tem uma expressão chamativa e bonita: “Computação Forense”. Mas quando nos deparamos com esse tipo de pensamento, não estamos dando conta da importância que isso nos faz em nosso cotidiano, assim como pensávamos no passado quando os primeiros celulares invadiram o mercado.

Quem não tem um computador em casa? Um celular? Smartphone? Tablet? Enfim, uma infinidade de aparelhos eletrônicos que quanto mais eles são inventados e colocados no mercado, mais queremos ter em nossas mãos, mesmo pagamos um alto preço para sermos os primeiros a possuir o objeto de desejo mundial (mesmo que ele venha com alguns problemas de segurança na sua primeira versão do software).

Com a divulgação de diversos crimes realizados pela internet, as fraudes bancárias e outros problemas mais críticos como a invasão de sistemas e sites, estamos começando a nos preocupar com as coisas tecnológicas agora. Tudo bem que poucas pessoas pararam para pensar nesse aspecto mas já tem gente pensando, isso é o mais importante.

Todavia, muitos profissionais da área de tecnologia agora estão de olho nesse nicho de mercado, o da Segurança da Informação, que pode ajudar as pessoas menos informadas e experientes nessa área de segurança a se protegerem melhor  ou procurar o responsável por um crime cometido com o advento da tecnologia.

Entretanto, observamos uma enorme busca na internet por ferramentas que são desenvolvidas para resolver algum problema de segurança da informação ou até mesmo para encontrar as evidências necessárias para se responsabilizar o autor do crime. Muitos estão indo pelo caminho da leitura, comprando livros e mais livros sobre Computação Forense.

Primeiro, fico feliz que muitos profissionais estão buscando novos conhecimentos nessa área inovadora e cheia de mistérios, que a cada passo dado durante as etapas de uma investigação ou perícia, descobrem informações que um técnico de informática sem formação em computação forense não ia encontrar.

Contudo, fico preocupado também que esses mesmos profissionais da área de tecnologia estão terminando de ler livros de Computação Forense e já estão correndo para uma gráfica para fazer o seu “cartão de visita” com a chancela de “Perito Forense”. Mesmo sem nenhuma experiência prática ou corporativa, essas pessoas estão indo ao Judiciário para se cadastrar (ou pelo menos tentar) como Perito Forense para pegar o seu primeiro caso de perícia.

Infelizmente, assim como em outras carreiras e profissões, existem vários “peritos” que se dizem conhecedores da área e quando vão efetivamente fazer o seu primeiro trabalho, a verdade aparece. Umas das consequências dessa atitude desses pseudo-profissionais é que vários Peritos sérios com certificação e vários anos de experiência são vistos de outra forma (negativa) por causa desses elementos que não são preparados através de um curso de especialização ou algo do tipo.

O livro é uma referência que precisamos ter para aumentar o nosso conhecimento, não é um curso propriamente dito e nem uma escola. Eu sempre digo que quando estou com dúvida ou quero me aprofundar em algum assunto, corro para a literatura. Mas não é para buscar a formação técnica e sim, um complemento, pois a base de qualquer carreira é formada em sala de aula.

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2 respostas em “Acabei de ler um livro sobre Computação Forense: já sou perito?

  1. Muito bem colocado Roney… A questão da experiência prática é algo que se constrói, onde o livro é apenas uma base. Nada nos garante ainda que o livro se mantenha adequado com o passar dos anos, pois novas metodologias e ferramentas surgem para facilitar o trabalho do profissional. E conteúdos obsoletos podem fazer com que o profissional erre inadvertidamente, penalizando todo o processo investigativo.

  2. Marcelo,

    Espero que as pessoas possam se sensibilizar que lendo o livro não é que não aprendem nada, mas não se forma a base de nenhum curso ou profissão. Os livros são meramente referências que devem ser consultados ou lidos quando sempre precisar. A experiência não se constroi da noite para o dia, pela simples leitura de um livro forense. Realmente, precisamos sempre manter em alerta aos interessados nessa área… evitar a ilusão de mercado.

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