Na era informação digital, o tempo é a moeda mais valiosa


A imposição e onipresença da nossa cantada e decantada “era da informação” tem nos feito consumidores vorazes de informação em tempo real. Quando menos, nos faz evoluir como neuróticos que sempre acham que perderam o último “buzz” publicado no Twitter, que a concorrência já se apoderou dessa informação ou que no próximo jantar com amigos não saberá dizer duas frases sobre aquela nova rede que bomba há…cinco dias passados.

Parece um cenário caricatural? Talvez. Acho até que nem é tanto. Realmente a Era da informação tem a sua faceta impositiva, catapultada pela genética humana do exibicionismo que nos coloca orgulhosos “donos” de smartphones e iPads, exibidos por aí como pets digitais.

Nesse ambiente, quanto mais resiliente você for, melhor vai conseguir navegar nos braços do onipotente Google, do irrequieto Twitter, do recém-nascido Foursquare e do gênio precoce e latifundiário chamado Facebook.

O tempo, sempre ele
Bem, tudo foi muito instigante, mas, o que me deixou mais alerta, foi um tema rapidamente tangenciado por Michel Lent e sobre o qual desenvolvo ideias há algumas temporadas: o tempo. Já falamos tanto de “share of… market….of wallet… of heart”…. Pois chegou a hora de saber encarar o “share of time”. Talvez essa seja a valência mais complexa para entender essa equação informativa cibernética.

Nós, os consumidores de marcas, que socializamos nossas experiências através dessas plataformas gratuitas e integradoras, temos esse limitador claro e inexorável. O tempo é inelástico e, como tal, permanecerá. Pelo menos até que nos provem que não estamos sonhando, como disse Sidarta Ribeiro, doutor em neurociências pela Universidade Rockefeller e chefe de laboratório do Instituto Internacional de Neurociência de Natal, em seu artigo sobre o filme “A Origem”

Enquanto acreditamos que isto é a realidade e vivemos essa intensa virtualização dos relacionamentos, o fato é que as marcas não concorrem mais apenas entre si, vertical ou horizontalmente. Elas concorrem – e talvez de forma essencial – de maneira transversal com a quantidade de tempo que temos para dedicar a elas.

Essa quantidade de tempo é, a cada dia, menor. Sendo isso uma verdade, eu pegaria tudo que ouvi no Digital Age 20 e destacaria 3 delas: é fato que qualidade de conteúdo, relevância e contexto se tornam condições imperativas.

Tempo escasso
Posso amar 20 marcas, mas, se só tenho 30 minutos por dia para “conversar” com elas nas redes sociais ou em qualquer outro meio virtual, elas entram em fila de espera difícil de andar. Precisam, efetivamente, ter algo excepcional para me dizer. Mas isso não é tudo. Além de excepcional isso precisa ser dito na hora mais adequada para mim (isto é, gerando relevância) e necessariamente deve estar atrelada ao meu comportamento e contexto.

Se estas variáveis se cruzam em alto nível temos aí um grande potencial de interação e – lembrando “A Origem” novamente – de inserção. No mais será quase lixo caprichosamente seletivo. Você até sabe que é bom, gosta da marca, mas deleta. Faço isso com alguns emails que recebo. Quero ler, pedi para receber e não tenho tempo de olhar. Coloco, com culpa mesmo, numa pasta especial e, depois de algumas semanas, vou lá e apago. Essa conclusão não é uma fórmula.

Não precisamos disto. Estou apenas provocando porque não tenho as respostas de fato. Considero que nesta transição, no específico, cada caso será um caso. No geral, até podemos repetir padrões. Planejar e buscar métricas, por exemplo, sempre deve estar presente.

A parte mais atrativa das redes sociais é que elas têm derrubado qualquer tentativa de estabelecer padrões exagerados. Definitivos? Nem pensar.

Os planejamentos têm sido duramente castigados, mas é neles que reside a única maneira de transformar essa conversação toda das redes sociais em um ativo transformador para as marcas e para seus consumidores, na mesma proporção.

Quando planejamos, nos obrigamos a montar diferentes cenários, a analisar diferentes possíveis reações, a entender o que controlamos e o que não controlaremos por mais esforço que façamos.

Hiperlink e followers
Fundamentalmente, perceber o que sabemos e o que não sabemos já resulta em um belo caminho andado. Se não existe um dia de 24 horas e 1 segundo a mais isso também quer dizer que não existe um consumidor com 24 horas e 1 segundo a mais de atenção para lhe dar. Logo, a nossa aquisição de conhecimento 360 graus precisa considerar que o hiperlink – ou o sistema de “followers”, por exemplo – é um labirinto que pode nos levar como protagonistas a um lugar saudável e evolutivo como profissionais e como pessoas que querem ser melhores.

Mas, de qualquer forma, como todo labirinto, pode se transformar numa grande dispersão de tempo e atenção, numa massa gigantesca de informação passando ao largo como passavam as caravanas enquanto os cães ladravam. E então? A caravana está passando na sua última milha -ou não ?

Fonte: http://idgnow.uol.com.br

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