Técnicas anti-forense para ocultação de dados – Parte 2


Colaboração: Alexandre Stratikopoulos

Nesta segunda parte do artigo sobre técnicas anti-forense, abordaremos algumas opções para ocultação de dados na Camanda de Hardware.

O disco rígido, independente do funcionamento dos sistemas operacionais, parece ser um bom local para ocultar dados confidenciais. O processo investigativo e de análise de um disco deve iniciar-se com a obtenção de informações sobre sua geometria e configuração, seguida pelo processo de geração da imagem bit-a-bit do dispositivo.

A seguir, abordaremos 2 áreas do disco que podem ser usadas para ocultação de dados.
                       MBR
                       ===

Dentre as áreas não acessíveis pelo usuário comum, está a MBR. Como indicado abaixo, é uma prática normal as tabelas de partições (do MBR ou da partição estendidas) começarem na cabeça 0, setor 1 de um cilindro, e o primeiro
setor da primeira particão começar na cabeça 1, setor 1 do cilindro.

A consequência dessa prática é a existência de setores não utilizados entre o setor da tabela de partições e início da primeira partição. Esses setores podem ser utilizados para esconder informações, sem qualquer risco de serem detectadas pelo uso normal do sistema de arquivos.

As informações armazenadas em áreas não acessíveis através de um sistema de arquivos podem ser extraídas por meio de raw I/O, utilizando-se, por exemplo, o comando dd e o device node (ou a imagem em arquivo) correspondente ao disco analisado, como ilustrado a seguir:

 # dd if=/dev/sda of=image.sda bs=512 skip=1 count=62
 62+0 records in
 62+0 records out

No exemplo anterior, o comando dd é usado para extrair o espaço não utilizado entre o MBR (setor 0) e o setor de boot da primeira partição do disco (setor 63). A informação é extraída do disco /dev/sda e é preservada no arquivo binário image.sda. As opções bs, skip e count são utilizadas para instruir o comando dd a copiar 62 setores de 512 bytes, a partir do setor de número 1.

                       MBR
                       ===

A Host Protected Area (HPA) é definida como uma área protegida em um disco rígido, sendo introduzida como um recurso opcional no padrão ATA-4 em 1998 e atualmente, a maioria dos discos rígidos suportam esse recurso.

Este recurso é muito usado por fabricantes de notebook para armazenar imagens do sistema atual, bem como ferramentas de recuperação e diagnóstico. Seu principal objetivo é prover a recuperação do sistema a partir de uma imagem padrão. Se a HPA está sendo utilizada para este propósito, é possível que o investigador forense encontre evidências de dados ocultos nesta área.

Na prática, seu disco tem um espaço maior do que a área utilizada pelo sistema operacional e existem algumas ferramentas gratuítas, como hdat2, que são capazes de acessar e modificar o conteúdo da HPA de um disco.

Para verificar se seu disco tem a HPA habilitada, pode-se utilizar a ferramenta hdat2, como no exemplo abaixo:

No exemplo abaixo, um disco que para o sistema operacional é exibido como sendo de 125G, na verdade tem mais 125G alocado para a HPA.

                       Conclusão
                       =========

Normalmente, quando a informação é armazenada tanto na HPA, ela não é acessível pelo BIOS, sistema operacional, ou pelo usuário. No entanto, algumas ferramentas podem ser usadas para acessar e modificar seu conteúdo.

Dado o potencial de colocar esses dados em áreas escondidas, esta é uma área de preocupação para os peritos computacionais.

Espero que isso não seja mais “grego” para você!!

Artigo publicado originalmente em http://gregoweblog.blogspot.com/2009/11/tecnicas-anti-forense-para-ocultacao-de.html

Fonte: www.dicas-l.com.br

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